Resistência e alegria

A Troça da Serpente cresceu. Cresceu porque foi acolhida, reconhecida e abraçada pelo povo de Caicó. O que antes era apenas uma manifestação espontânea da alegria popular transformou-se em associação: ganhou corpo jurídico, organização e força institucional. Com isso, passou a disputar e conquistar editais, receber emendas e ampliar o apoio econômico de sócios e admiradores, sem jamais perder o vínculo com suas raízes.

Em reunião recente, diretoria e associados decidiram, de forma unânime, que todos os recursos recebidos serão integralmente investidos em quem dá vida à festa: os artistas. A prioridade será destinada a músicos, agências culturais e profissionais da própria região, reafirmando o compromisso com a economia criativa local e com o talento que nasce e floresce no Seridó.

Como parte dessa celebração, a Troça da Serpente realizará uma série de apresentações que espalharão alegria e cultura pelas comunidades. No dia 17 de janeiro de 2026, a Serpente dança e encanta o Distrito de Laginhas. Já no dia 24 de janeiro de 2026, será a vez da comunidade da Palma receber o cortejo festivo. E, no sábado de carnaval, Caicó acordará ao som da Serpente, que tomará as ruas da cidade a partir das 9 horas da manhã, em sua grande e aguardada apresentação popular.

A programação também reserva momentos de afeto e memória. Na quarta-feira que antecede o carnaval, será promovida uma seresta carnavalesca em homenagem a Zezé Avelino, celebrando sua contribuição e seu legado para a cultura local. Além disso, a associação realizará um almoço festivo para sócios e convidados, como gesto de gratidão pelo apoio recebido e como convite para fortalecer, juntos, um carnaval cada vez mais enraizado na cultura popular. Na ocasião, a direção da Serpente fará um agradecimento especial às pessoas que contribuíram e aos vereadores que destinaram emendas ao projeto.

A Serpente ficou gigante, é verdade. Mas segue fiel ao seu propósito maior: promover um carnaval com rosto, voz e coração de gente. Um carnaval que valoriza o povo, exalta as tradições e celebra tudo aquilo que faz do Seridó um território de identidade, resistência e alegria.

Janduhi Medeiros