A Troça da Serpente resgata o imaginário coletivo para embelezar, com fantasia e irreverência, o sentimento de alegria do povo de Caicó. Esse imaginário está profundamente ligado à Lenda da Serpente de Caicó, uma das narrativas mais emblemáticas da cultura popular local. Conta-se que uma serpente colossal repousa adormecida sob as águas do Poço de Santana, lago situado às margens do Rio Seridó e que, impressionantemente, nunca seca em pleno sertão, crescendo silenciosamente ao longo dos séculos; e que, no dia em que despertar, Caicó sucumbirá ao seu movimento.
É dessa lenda ancestral que a Troça da Serpente extrai sua força simbólica. No espírito do carnaval, a narrativa ganha contornos satíricos e bem-humorados, transformando o temor em riso, o mito em celebração. Assim, a troça ocupa as ruas como um ato de resistência cultural, misturando folclore, crítica social e alegria popular.
Com criatividade e animação, a Troça da Serpente vem se consolidando como um dos blocos mais vibrantes do já consagrado Carnaval de Caicó. Seu porta-estandarte, de tecido humano, carrega muito mais do que cores e formas: leva consigo uma síntese viva de humor, crítica social, memória histórica e tradição oral, dialogando com o passado enquanto celebra o presente, sempre ao som de boas músicas e de bons músicos — uma bandinha inteiraça.
No sentimento daqueles que acompanham a troça, a Serpente — ainda que imaginária — deixou de ser apenas lenda para se tornar parte integrante do patrimônio histórico e cultural da cidade. Esse sentimento coletivo espalhou-se pelas esquinas, tomou conta das ruas e do coração do povo caicoense, reafirmando a força da identidade local.
Em reconhecimento a essa relevância cultural e social, a Câmara Municipal, em decisão de grande importância, aprovou lei que declara a Troça da Serpente de utilidade pública, oficializando aquilo que o povo já sabia: trata-se de um bem coletivo, um símbolo vivo da cultura popular de Caicó.
Parabéns aos associados da Troça da Serpente, ao povo de Caicó e às autoridades municipais, por manterem viva a lenda, a alegria e a memória de uma cidade que transforma mito em festa e tradição em identidade.
Janduhi Medeiros